O Carnaval de rua de Belo Horizonte virou referência nacional por vários motivos, mas tem um que ninguém discute: a música é o motor da festa. E por trás de cada multidão cantando junto existe gente de carne, osso, garganta e presença de palco, artistas que sustentam horas de cortejo, seguram a energia lá em cima e, de quebra, ajudam a construir a “cara” do Carnaval de BH.
Em 2026, oito nomes seguem no centro desse movimento, misturando repertórios, histórias e estéticas que atravessam gêneros, territórios e públicos: Pri Glenda, Cléo Ventura, Violeta Lara, Leopoldina, Rafa Ventura, Amandona, Canela e Amanda Coimbra. São vozes que não só interpretam músicas, elas puxam narrativa, levantam bandeira, criam pertencimento e transformam avenida em palco.
A seguir, um guia em formato jornalístico, com contexto e briefing para o leitor entender quem são, o que representam, o que o público encontra e por que vale ficar de olho.
Rafa Ventura

Rafa Ventura é daqueles nomes que você entende rápido por que o Carnaval de BH virou o que virou. Multiartista e agitador cultural, ele atravessa o crescimento da festa desde a fase de retomada, quando a rua ainda era laboratório. No comando do Abalô Caxi, Rafa ajudou a consolidar um bloco que é celebração e afirmação, com presença forte da comunidade LGBTQIAPN+ e uma estética que valoriza liberdade, brilho e coragem. É um artista que trata o Carnaval como espetáculo e também como discurso, usando a rua como lugar legítimo de arte, desejo e política, sem perder a leveza de quem sabe fazer a multidão sorrir.
Para quem: quem ama bloco performático, repertório pop e clima de catarse coletiva, com diversidade no centro da experiência.
O que esperar: condução de palco forte, refrões fáceis de cantar, energia alta e aquele sentimento de “isso aqui é nosso”.
Bloco: Abalô Caxi.
Localização: o bloco desfila no Carnaval de BH, com programação divulgada pela organização e pelos canais oficiais da folia.
Cléo Ventura

Cléo Ventura tem trajetória longa na música e um tipo de presença que funciona como cola do cortejo: ela canta, segura a narrativa e cria conexão real com o público. No Abalô Caxi, ela aparece como voz que equilibra potência e afeto, e isso faz diferença em bloco grande. O Carnaval de BH exige repertório, resistência e domínio de rua, e Cléo entrega justamente isso: interpretação segura, leitura do público e uma pegada que transita entre o festivo e o emocional, sem deixar o ritmo cair. É o tipo de artista que você percebe quando o bloco está “encaixado” e funcionando.
Para quem: quem curte canto firme, carisma e uma condução que mantém o bloco vivo do início ao fim.
O que esperar: interpretação potente, diálogo com a multidão e condução precisa do cortejo.
Bloco: Abalô Caxi.
Localização: cortejos e ensaios variam conforme o calendário do pré Carnaval e do Carnaval oficial.
Pri Glenda

Pri Glenda é nome de palco que conversa direto com o espírito do Carnaval de BH: irreverência, acolhimento e um jeito muito próprio de puxar multidão sem parecer “distante”. Ela representa essa geração de artistas que cresceu junto da festa e aprendeu a transformar repertório em experiência, do tipo que o público lembra depois. Pri costuma ser associada a uma condução vibrante, de quem sabe misturar animação com identidade, fazendo o bloco parecer um encontro entre amigos, mesmo quando tem milhares de pessoas na rua.
Para quem: quem quer Carnaval com cara de BH, energia acessível e clima de festa sem frescura.
O que esperar: carisma, comunicação direta, repertório que gruda e participação ativa do público.
Bloco: ligada à cena dos grandes blocos e à cultura de rua da cidade.
Localização: apresentações variam conforme a agenda oficial do Carnaval e dos coletivos.
Violeta Lara

Violeta Lara entra nesse grupo de vozes que não ficam só “cantando por cantar”. Ela carrega estilo, marca interpretativa e uma estética que costuma transformar o bloco em acontecimento. O Carnaval de BH tem espaço para muitos sons, e Violeta representa bem essa mistura contemporânea, em que tradição e novidade convivem. Ela puxa com personalidade, entrega emoção quando precisa e levanta a rua quando é hora de explodir.
Para quem: quem gosta de artistas com assinatura própria, presença cênica e repertório com identidade.
O que esperar: interpretação com personalidade, condução com atitude e conexão forte com a estética do bloco.
Bloco: ligada à cena carnavalesca contemporânea de BH.
Localização: circulação em ensaios e cortejos na temporada de Carnaval.
Leopoldina

Leopoldina é daquelas artistas que fazem o público sentir que está vivendo um rito da cidade, não só um show. BH tem uma tradição musical forte, e no Carnaval isso vira rua, vira coro, vira memória. Leopoldina se encaixa nesse lugar: voz que segura o coletivo, que dá unidade, que faz a multidão cantar como se fosse uma só. Ela representa a dimensão afetiva do Carnaval, onde o repertório vira trilha sonora de encontro e pertencimento.
Para quem: quem gosta do Carnaval como experiência de comunidade, coro e emoção coletiva.
O que esperar: condução calorosa, repertório que gera canto em massa e sensação de “festa com identidade”.
Bloco: presença ligada à cena dos blocos de BH.
Localização: agenda varia conforme a programação anual.
Amandona

Amandona é potência de rua. Seu tipo de presença é daquele que não negocia energia: ela chega e o bloco entende que é hora de levantar poeira. Em BH, onde a festa é democrática e descentralizada, artistas como Amandona são essenciais porque sabem “ler” a rua e puxar o público sem depender de formalidade. Ela traduz uma parte do Carnaval que é corpo, dança, grito, refrão, celebração.
Para quem: quem quer intensidade, batida forte, entrega vocal e bloco como explosão de energia.
O que esperar: condução alta voltagem, público participando o tempo todo e repertório feito para o asfalto.
Bloco: ligada ao circuito de blocos que misturam festa e presença popular.
Localização: apresentações e ensaios variam conforme o calendário.
Canela

Canela representa um tipo de artista muito necessário para o Carnaval de BH: quem faz ponte entre tradição e presente. A festa cresceu, mas não perdeu a raiz. E vozes como Canela ajudam a manter essa raiz viva, seja pela escolha de repertório, pela forma de cantar ou pelo jeito de conduzir o público com autenticidade. É uma presença que costuma ser lembrada por quem gosta de Carnaval com musicalidade forte e “verdade” no palco.
Para quem: quem curte musicalidade bem feita, presença autêntica e repertório que conversa com tradição e rua.
O que esperar: condução firme, timbre marcante e clima de bloco com identidade popular.
Bloco: inserido na cena musical do Carnaval de BH.
Localização: atuações variam conforme o circuito do Carnaval e do pré Carnaval.
Amanda Coimbra

Amanda Coimbra completa essa lista como símbolo de uma cena que não para de crescer: a do artista que encontra no Carnaval um palco gigantesco e, ao mesmo tempo, um laboratório criativo. Em BH, a rua permite experimentar, remixar, resgatar, misturar. Amanda aparece como voz que agrega, conduz e cria momento, e isso no Carnaval vale ouro. É artista de presença, que não passa despercebida quando o bloco encaixa.
Para quem: quem gosta de bloco com performance, dinâmica e sensação de “momento acontecendo”.
O que esperar: presença de palco, condução organizada do cortejo e repertório pensado para multidão.
Bloco: ligada à cena de grandes blocos e apresentações de rua.
Localização: agenda varia conforme programação do Carnaval.
Por que esse recorte importa
Falar dessas vozes é falar do que sustenta o Carnaval de BH além do glitter: trabalho artístico, resistência física, direção musical e construção cultural. É gente que ensaia, puxa, organiza, cria repertório e segura multidão. No fim, são artistas que fazem BH soar como BH, mesmo quando o país inteiro está olhando.
E sim, essa é uma matéria que pode e deve crescer: conforme a temporada avança, o Carnaval entrega novos encontros, convites e participações que mudam o jogo.



